Sôfrego acordar que por entre as frinchas do primeiro olhar
Me impinge os raios opacos da realidade
Á janela amontoa-se as vozes dos transeuntes
Numa miríade de imprecações matutinas.
São o timbre clandestino do meu quotidiano.
Saio para as ruas fastidiosas,
Saturadas de odores mirabolantes.
São labirintos de ínvias esquinas de olhares vagos,
Compelidos a existirem.
Amalgamas mortiças de rostos increpados pela vida,
Que buscam avidamente um qualquer subterfúgio
Para não se escravizarem á mais vulgar resignação humana.
Tentam escapar á inefável infelicidade
Do mundo em que vivem
E sabem-no…………
Os sonhos que outrora acalentavam,
Mirraram como dissidentes soís
Afogados num horizonte de relógios parados
E eu fujo
Fujo antes que o meu relógio pare.
Quando as cidades dormem
Despidas de brados e esgares do homem,
Encontro o meu refúgio
É quando me deito no regrado papel
E escrevo…………………..
(Duarte Temtem)
Thursday, July 02, 2009
Thursday, April 16, 2009
...PALAVRAS...
Do amontoado de letras...
formam-se palavras,que se unem em frases,
por um caminho onde delira a linguagem...~
Soltam-se, para que ao serem entregues pela brisa,
nelas se sinta um toque de ternura e carinho...
olha a vida com os olhos da alma...
não te esqueças que somos sonhos livres,
voando no universo à procura do amor
que fará morada nas nossas vidas...
sonha o que ousares sonhar...
vai aonde queres ir...
sê o que quiseres ser...
vive!l
uta!
formam-se palavras,que se unem em frases,
por um caminho onde delira a linguagem...~
Soltam-se, para que ao serem entregues pela brisa,
nelas se sinta um toque de ternura e carinho...
olha a vida com os olhos da alma...
não te esqueças que somos sonhos livres,
voando no universo à procura do amor
que fará morada nas nossas vidas...
sonha o que ousares sonhar...
vai aonde queres ir...
sê o que quiseres ser...
vive!l
uta!
Thursday, October 30, 2008
.....CAROLINA.....
Carolina conhece a zona portuária como ninguém.
Cada boteco sórdido, restaurantes chinfrins,
pensõezinhas molambos onde se dormia em
beliches ou redes, cada quarto de prostituição
onde se pagava a fracção de hora, e também
os becos onde se escondia da polícia.
Carolina, a loira, tinha naextensão daquele
porto uma história de 30 anos de prostituição
e já se deitara com mais de metade dos
trabalhadores das Docas, sem contar os marinheiros
e turistas. Dizem que o seu corpo é um mapa
emocional, onde há marcas e cicatrizes resultantes
das taras de cada louco a quem se dera.
A história essa está na boca de todos de
alternadeira, a mulher de presidente e agora
a alternar. Ela, por sua vez, também não é
santa e apronta das suas de vez em quando, e
conta o pessoal das docas que, certa vez, ela
castrou um bêbado.
È uma mulher fisicamente atraente e expressivamente
bonita. Tem uns 30 anos, cabeleira farta, dentes
níveos, seios insinuantes e muita sensualidade.
E apenas a pele um pouco desidratada pelo castigo
da vida que voltou a terl.
E um jornal da cidade, escreverá:
“AO ENTRAR DA PRIMAVERA, A FLOR DO LODO,
MORREU!”
Cada boteco sórdido, restaurantes chinfrins,
pensõezinhas molambos onde se dormia em
beliches ou redes, cada quarto de prostituição
onde se pagava a fracção de hora, e também
os becos onde se escondia da polícia.
Carolina, a loira, tinha naextensão daquele
porto uma história de 30 anos de prostituição
e já se deitara com mais de metade dos
trabalhadores das Docas, sem contar os marinheiros
e turistas. Dizem que o seu corpo é um mapa
emocional, onde há marcas e cicatrizes resultantes
das taras de cada louco a quem se dera.
A história essa está na boca de todos de
alternadeira, a mulher de presidente e agora
a alternar. Ela, por sua vez, também não é
santa e apronta das suas de vez em quando, e
conta o pessoal das docas que, certa vez, ela
castrou um bêbado.
È uma mulher fisicamente atraente e expressivamente
bonita. Tem uns 30 anos, cabeleira farta, dentes
níveos, seios insinuantes e muita sensualidade.
E apenas a pele um pouco desidratada pelo castigo
da vida que voltou a terl.
E um jornal da cidade, escreverá:
“AO ENTRAR DA PRIMAVERA, A FLOR DO LODO,
MORREU!”
Thursday, November 08, 2007
...PROJECTAR...
... Ás vezes adiam-se os objectivos.
... Para um amanha com mais tempo.
... Mas quando esse tempo chega.
... Os sonhos, objectivos, são só lembranças.
... Porque os actores já partiram.
... Pelo caminho das estradas.
... Cheias de encruzilhadas.
... cada encruzilhada.
... Obriga-nos a pensar, parar.
... Projectar, lutar.
... Para uma melhor estrada.
... Um dia encontrar.
... E nunca deixar.
... Deixar de caminhar.
... Para um amanha com mais tempo.
... Mas quando esse tempo chega.
... Os sonhos, objectivos, são só lembranças.
... Porque os actores já partiram.
... Pelo caminho das estradas.
... Cheias de encruzilhadas.
... cada encruzilhada.
... Obriga-nos a pensar, parar.
... Projectar, lutar.
... Para uma melhor estrada.
... Um dia encontrar.
... E nunca deixar.
... Deixar de caminhar.
Wednesday, January 24, 2007
...POETISANDO...
A poesia é em grande parte transfiguração
e mistificação e a sua leitura desprevenida
não nos pode dar por si só, uma imagem fiel
do pensamento do seu criador.
Torna-se necessário um árduo trabalho
de interpretação
– quantas vezes estéril e inglório –
para se descobrir, para além das
expressões e imagens poéticas libertas
da lógica e da realidade, impregnadas
de fantasia e mistério a real fisionomia
intelectual do Artista.
e mistificação e a sua leitura desprevenida
não nos pode dar por si só, uma imagem fiel
do pensamento do seu criador.
Torna-se necessário um árduo trabalho
de interpretação
– quantas vezes estéril e inglório –
para se descobrir, para além das
expressões e imagens poéticas libertas
da lógica e da realidade, impregnadas
de fantasia e mistério a real fisionomia
intelectual do Artista.
Sunday, January 21, 2007
A MATA DO KOSSONGO
Perde-se no tempo a idade daquela mata onde a luz do dia
mal penetra.Aqueles lenhos retorcidos, embaraçados,
cruzados como mãos nodosas entrelaçadas, estão ali
misteriosamente. Não envelhecem porque são eternos.
Porque são os braços e as pernas e a alma de todas aquelas
árvores que se acotovelam e confundem com uma multidão
de fantasmas inquietos.Ninguém as plantou.
Nasceram muito antes de Eva partir a primeira humana
criatura.Sob os relâmpagos das tempestades desfeitas,
apenas gemem mas, se quebram, dos pedaços arrancados
outras árvores crescerão, rebentarão outros arbustos,
acrescentar-se-á á cidade vegetal um novo e monumental edifício.
Não. Ninguém plantou a floresta.
Nem ela guarda já a dedada da Natureza, aquando a criação do
Universo.Enreda-se por léguas e léguas que jamais alcançarão
um fim.Pode haver um Inverno de uma planície, de um rio, de
uma montanha, de um deserto até, mas do outro lado da planície,
do rio, da montanha e do deserto, o seu poder renascerá,
nem maior, nem menor, mas igual ao seu apogeu.
Assim se conserva, através dos anos, o mato tenebroso, fechado.
Assim ele suspende, em cada século que passa, os mesmos caules
musculosos, inflexíveis.Assim nas suas veias corre a mesma seiva
impetuosa e ardente.Assim no seu seio se acolhem os bichos da
terra e do céu e pólen perfumado das flores bravias vem poisar e
conceber.Os negros, que mais tarde, chegaram e olharam pela
primeira vez o sol, milhões de anos depois desse sol dourar folhas
e ramos e se entornar pelo capim dos tandos, pelas aguas cristalinas
dos lagos apodrecidas dos pântanos, até esses respeitam o mato, que
os atemoriza e espanta com a sua força. Que é lá que habitam os seus
deuses, que os milagres mais perturbantes e inacreditáveis se dão e
se repetem, que a voz dos feiticeiros considerados e temidos se
levanta, como se levanta o rugir das feras.
Que é lá que se oculta e palpita o coração do Mundo –
bem o sentem bater, enchendo o silêncio da noite de um rumor
indefinido e estranho.E apesar de por vezes, os homens abrirem
estreitas veredas por entre a folhagem espessa, eles não ignoram
que não ofendem a floresta, que atrás deles a ferida cicatrizará,
como um leve arranhão á superfície da pele.
Não ignoram que ninguém conquistará o, mato, e por isso,
o veneram e receiam quando arriscam os seus passos no
emaranhado dos seus troncos milenários. Mas, se o fazem,
é porque também sabem que aquele ser omnipotente, senhor
da vida e da morte, é maternal e meigo para os que nele
procuram refugio ou paz ou simplesmente
caminho.
mal penetra.Aqueles lenhos retorcidos, embaraçados,
cruzados como mãos nodosas entrelaçadas, estão ali
misteriosamente. Não envelhecem porque são eternos.
Porque são os braços e as pernas e a alma de todas aquelas
árvores que se acotovelam e confundem com uma multidão
de fantasmas inquietos.Ninguém as plantou.
Nasceram muito antes de Eva partir a primeira humana
criatura.Sob os relâmpagos das tempestades desfeitas,
apenas gemem mas, se quebram, dos pedaços arrancados
outras árvores crescerão, rebentarão outros arbustos,
acrescentar-se-á á cidade vegetal um novo e monumental edifício.
Não. Ninguém plantou a floresta.
Nem ela guarda já a dedada da Natureza, aquando a criação do
Universo.Enreda-se por léguas e léguas que jamais alcançarão
um fim.Pode haver um Inverno de uma planície, de um rio, de
uma montanha, de um deserto até, mas do outro lado da planície,
do rio, da montanha e do deserto, o seu poder renascerá,
nem maior, nem menor, mas igual ao seu apogeu.
Assim se conserva, através dos anos, o mato tenebroso, fechado.
Assim ele suspende, em cada século que passa, os mesmos caules
musculosos, inflexíveis.Assim nas suas veias corre a mesma seiva
impetuosa e ardente.Assim no seu seio se acolhem os bichos da
terra e do céu e pólen perfumado das flores bravias vem poisar e
conceber.Os negros, que mais tarde, chegaram e olharam pela
primeira vez o sol, milhões de anos depois desse sol dourar folhas
e ramos e se entornar pelo capim dos tandos, pelas aguas cristalinas
dos lagos apodrecidas dos pântanos, até esses respeitam o mato, que
os atemoriza e espanta com a sua força. Que é lá que habitam os seus
deuses, que os milagres mais perturbantes e inacreditáveis se dão e
se repetem, que a voz dos feiticeiros considerados e temidos se
levanta, como se levanta o rugir das feras.
Que é lá que se oculta e palpita o coração do Mundo –
bem o sentem bater, enchendo o silêncio da noite de um rumor
indefinido e estranho.E apesar de por vezes, os homens abrirem
estreitas veredas por entre a folhagem espessa, eles não ignoram
que não ofendem a floresta, que atrás deles a ferida cicatrizará,
como um leve arranhão á superfície da pele.
Não ignoram que ninguém conquistará o, mato, e por isso,
o veneram e receiam quando arriscam os seus passos no
emaranhado dos seus troncos milenários. Mas, se o fazem,
é porque também sabem que aquele ser omnipotente, senhor
da vida e da morte, é maternal e meigo para os que nele
procuram refugio ou paz ou simplesmente
caminho.
Monday, January 15, 2007
MENINA MOÇA
«Entro no boteco e peço um café.
- Tira o chapinha nos caxa moço, e vem depois...
-diz-me a mulata-
Roça-me ao de leve a coxa, enquanto bebe
o seu café e cacharamba, fuma e me ignora.
Por sobre a chávena, vejo-a partir,
desaparece na multidão, movendo as ancas
vagarosamente, ao sabor do vento.
Longe, quase á esquina, descortino ainda
o ondular azul do seu vestido, e um súbito calor
se reacende onde a coxa da mulata,
menina moça me roçou»
- Tira o chapinha nos caxa moço, e vem depois...
-diz-me a mulata-
Roça-me ao de leve a coxa, enquanto bebe
o seu café e cacharamba, fuma e me ignora.
Por sobre a chávena, vejo-a partir,
desaparece na multidão, movendo as ancas
vagarosamente, ao sabor do vento.
Longe, quase á esquina, descortino ainda
o ondular azul do seu vestido, e um súbito calor
se reacende onde a coxa da mulata,
menina moça me roçou»
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